"Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - É PRA LÁ QUE EU VOU." (Clarice Lispector)
sexta-feira, 3 de julho de 2009
flip
Li umas coisas interessantes sobre o mexicano Bellatin, estou curiosa... Pena que 'Chico' estará lá só hoje à noite... Preciso avisá-lo que estou a caminho!
Pra quem não sabe o que é, dá uma lida aqui:
http://www.estadao.com.br/pages/especiais/flip2009/
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
eu queria ser:

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Uh! Uh! Uh! Uh!...
Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta...
Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem
Nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...
Ratatá! Ratatá! Ratatá!
Taratá! Taratá!...
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Uh! Uh!
Fama de porra louca
Tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém
Uh! Uh!...
Não sou atriz
Modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem...
quinta-feira, 10 de julho de 2008
nada por acaso...
Clarice,
Gostei de saber que você está com a alma mais sossegada. O sentimento de grandeza que você acha que está perdendo talvez agora é que você esteja adquirindo. Sua predisposição para ficar calada não é propriamente uma novidade: a novidade é estar aceitando, inclusive, o silêncio. É bom isso, dá mais paciência, mais compreensão, dá mais sentimento às coisas — e dá grandeza.
Fernando.
*carta de Fernando Sabino à Clarice Lispector.
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SABE QUANDO NADA É POR ACASO? ENTÃO.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
dinner party
Tudo o que queria era comemorar a leveza.
Prepararia um jantar com a desculpa de homenagear alguém.
Não precisava dizer que era um jantar em homenagem a si mesma.
Estar feliz era o que bastava.
Jantemos.
Um brinde à transformação, ao crescimento.
O riso era fácil, constante. O tilintar dos copos, música.
Tomates, temperos...
Brindemos.
terça-feira, 8 de abril de 2008
horizonte
segunda-feira, 7 de abril de 2008
calor de outono
Ela ainda não estava familiarizada com todos aqueles sentimentos que brotavam da sua alma. Em certos momentos, os sons se tornavam muito altos. Altos demais para que fosse possível suportar ficar ali parada.Algumas sensações também faziam chegar à beira do descontrole. Ainda que fosse outono, o sol era o muito, o calor era demais. Nenhuma brisa.
A lembrança do toque daquelas mãos nas suas costas tornara-se insuportável, como se um vulcão adormecido estivesse à explodir. Entrava no mar. Tomava um café.
E muitas vezes a vida comum de quem não olhava a paisagem lá de dentro do mar a incomodava.
Sim, agora era preciso mudar de lugar. Era preciso sair dali.
Seus amigos comuns não entenderiam. Deviam mesmo achar que estava ficando louca quando, paradas a conversar na cozinha, ela começava a filosofar a respeito da vida... Assuntos absolutamente ininteligíveis para amiga comum com uma mamadeira comum em uma das mãos e uma lata de cerveja na outra. Eram mundos completamente distintos.
Mas às vezes Ana até desejava pertencer àquele mundo. As crianças e as ocupações com a casa sequer permitiriam erupções de vulcões.
Ambas as vidas eram árduas. Sua diferença era o quanto de tempo tinham para pensar nelas.
