Ela ainda não estava familiarizada com todos aqueles sentimentos que brotavam da sua alma. Em certos momentos, os sons se tornavam muito altos. Altos demais para que fosse possível suportar ficar ali parada.Algumas sensações também faziam chegar à beira do descontrole. Ainda que fosse outono, o sol era o muito, o calor era demais. Nenhuma brisa.
A lembrança do toque daquelas mãos nas suas costas tornara-se insuportável, como se um vulcão adormecido estivesse à explodir. Entrava no mar. Tomava um café.
E muitas vezes a vida comum de quem não olhava a paisagem lá de dentro do mar a incomodava.
Sim, agora era preciso mudar de lugar. Era preciso sair dali.
Seus amigos comuns não entenderiam. Deviam mesmo achar que estava ficando louca quando, paradas a conversar na cozinha, ela começava a filosofar a respeito da vida... Assuntos absolutamente ininteligíveis para amiga comum com uma mamadeira comum em uma das mãos e uma lata de cerveja na outra. Eram mundos completamente distintos.
Mas às vezes Ana até desejava pertencer àquele mundo. As crianças e as ocupações com a casa sequer permitiriam erupções de vulcões.
Ambas as vidas eram árduas. Sua diferença era o quanto de tempo tinham para pensar nelas.
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