terça-feira, 29 de abril de 2008

protesto


Eu odeio, é sério.
Odeio preconceito.
Odeio preconceito contra mulheres
Odeio o preconceito contra os gays
Odeio o preconceito contra os negros, contra os pobres, contra os aleijados.
Odeio as manifestações de preconceito.
Odeio existirem grupos que se julgam mais que outros a ponto de impor regras e definir quem ou não merece pertencer à este ou àquele lugar.
Odeio essa gente de nariz empinado, que não sabe lhufas da sua vida e te julga pela aparência.
Odeio imaginar que eu possa estar falando isso, mas também fui criada numa sociedade preconceituosa. Fui bem alimentada quando criança, não passei nenhuma fome, faço regime, reclamo de barriga cheia e também já xinguei a mulher que deu em cima do meu namorado de biscate.
Também tenho raiva de ter rido das figuras de prostitutas nas ruas, ou ter ficado ressabiada quando um negro se aproximava, achando que ele me assaltaria.
Detesto que as taxações existam e as pessoas estejam mais preocupadas em julgar os outros ao invés de olhar para os próprios umbigos. Que um homem, seja capaz de sentir-se atraído por uma mulher e no momento seguinte se ache no direito de chamá-la de vagabunda. E também detesto as mulheres que cospem nos pratos que comeram, que trepem com um cara e depois falem para as amigas que ele era “meia-bomba”.
Odeio os sentimentos mesquinhos.
Odeio saber que eles existem e odeio saber que pode haver um pouco deles dentro de mim. ¨



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segunda-feira, 28 de abril de 2008

paixões intensas - ou, a última romântica

Eu costumava me irritar com a mania que meu irmão tem de ouvir mil vezes a mesma música.
Hoje, entregue à minha nova maniazinha de cozinhar coisas diferentes, descobri que isso é absolutamente genético - pelo menos no que diz respeito à mim e à ele.
Até que, se o "mal" dele for só esse, tudo bem, porque estou cá, pensando no milhão de novas obssessõezinhas que invento a cada dia... tsc tsc...

Estou lendo um livro novo? levo até pra ler no restaurante, na hora do almoço.

Estou gostando de cozinhar? coloco até receitinhas na lateral do blog...

Nietszche? Rá!

Yoga? Pois sim...

Cinema? tem ingresso pra todos os dias??

Paixões intensas...

Rá! PAI-XÕ-ES-IN-TEN-SAS!
Ai, ai ai ai...


(Blog? esse não tem preço... rsrs)

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paixões efêmeras

No lugar de uma terapia, que me custaria muito caro, minha mais nova diversão é cozinhar.
Bela desculpa pra juntar amigos e comer - leia-se também, beber - sem culpa.

Às vezes um arroz integral vai pra panela sem lavar - oooops! how many wine did you drink, miss? - perguntou-me a fofa hóspede alemã.

Às vezes faço comida pra ninguém comer mesmo, pq as bruschettas de abobrinha com queijo brie - hum! - estavam divinas e todo mundo se empanturrou... bueno.

E até quando chego em casa, com toda essa liberdade que 'deus me deu', 'zero' mau humor, vou pra cozinha fazer qualquer coisa pra mim, mesmo que minha idéia brilhante seja um frango absolutamente demorado (Light, always, mainly at home.) e a esta hora da noite eu esteja já sem fome...
Quando eu crescer, vou casar com o Jamie Oliver.¨
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censura

"Autocensurar-se é uma espécie de luxo. Quando dirigimos censuras a nós mesmos, ficamos com a impressão de que ninguém mais tem o direito de o fazer. É a confissão, e não o padre, que nos dá a absolvição" Oscar Wilde

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sábado, 26 de abril de 2008

mulheres de peito

Alguém me censurou outro dia: "você gosta mesmo desse negócio de ficar com o soutien aparecendo, né?"

first: sou eu que faço, nada mais justo que eu mesma propagandear, certo?!

Certo.

second: me contrarie e verás a minha busca por todos os argumentos para comprovar um ponto de vista (isso qdo sei que estou certa, quando não sei - não sou idiota e avessa à discussões - vou procurar e debato depois), com isso encontrei:


- Underwear como outwear:
Vale também se inspirar em Marc Jacobs e deixar a lingerie aparecer! Pode ser o sutiã por baixo de uma fenda ou decote na blusa, ou uma transparência que revela a peça. O importante aqui é atualizar sua gaveta de lingeries com peças feitas para mostrar: tem que ser um sutiã bonito, moderno, como os criados pela estilista Thais Gusmão. (e os meus! (modéstia às favas!))


- Look Casual:
A tendência “de dentro para fora” volta a permitir o uso da lingerie como acessório, assim como uma bijouteria ou uma bolsa. No caso, as alças do sutiã voltam a ser super trabalhadas, e podem aparecer por baixo das regatas.O sutiã, desde que bonito e moderno, também pode ser mostrado por baixo de transparências, fendas e decotes! Além da Thais Gusmão, peças da fashion Forum Lingerie e da confortável Plié também entram no mix de lingeries para serem mostradas. [mais]


Sem falar na imagem de Sarah Jessica Parker em Sex and the City, com um deslumbrante longo e um soutienzinho pretinho aparecendo...

ora...¨
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a linha

desejou a liberdade, pois. e agora sentia dificuldades de enxergar o horizonte, que parecia tão distante...

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

blueberry night

sexta, em casa.
how pathetic is that?
eu quero uma casa no campo...
um travesseiro e uma boa noite de sono.
no filme* ele diz algo como "ter aprendido que era melhor ficar no mesmo lugar, para quem quisesse, saber onde encontrá-lo"...
liberdade é movimentação mas será que a movimentação da liberdade faz com que você se desencontre demais do que procura?

*My blueberry nights/ Um beijo roubado



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A.D...?

TÁ FODA!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

pequenos poderes

Expressão bonita...
Todo mundo tem os seus... o reininho do reizinho... que zela com toda ferocidade pelo que é "SEU".
O rei do Pequeno Príncipe...

- Ah! Eis um súdito, exclamou o rei ao dar com o principezinho.
E o principezinho perguntou a si mesmo:
- Como pode ele reconhecer-me, se jamais me viu?
Ele não sabia que, para os reis, o mundo é muito simplificado. Todos os homens são súditos.
- Aproxima-te, para que eu te veja melhor, disse o rei, todo orgulhoso de poder ser rei para alguém.
O principezinho procurou com olhos onde sentar-se, mas o planeta estava todo atravancado pelo magnífico manto de arminho. Ficou, então, de pé.

O jogo é divertido até: coloca-se alguns poderes nas mãos de alguém e fica a ver o que esta pessoa fará com isso.
Lembro-me de Dogville.
Impressionantíssimo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

"...nobre, ofendida..."

por que esse homem de terno espera o ônibus???
por que eu não consigo me maquiar a tempo???
por que eu perco a hora???
por que eu me permito perder a hora???
"bald head, bald head
i'm sweating." *
i don't sweat!
sua vó dizia para tomar cuidado com o vento encanado (existia uma expressão pra isso)
seria possível ficar longe de si quando vinham essas ondas de "ofendida nobreza"? ora...

*trechos do filme Adaptação

segunda-feira, 21 de abril de 2008

no sentido contrário

impressionava-se com a capacidade que tinha de se retrair.
se avançassem um pouco a linha-limite imaginária do seu espaço, fechava-se, como uma concha.
sempre arrumava o que fazer; ocupava-se com comidinhas ou arrumações... "muito ocupada!"
por que sempre parecia necessário ter que dar uma desculpa quando a verdade era simples?

fragmentos


"Tinha medo não. Tinha era cansaço de esperança."


"Despedir dá febre"


"Homem foi feito para o sozinho?"


"A liberdade é assim, movimentação"


"A gente só sabe bem aquilo que não entende"


"Coração mistura amores. Tudo cabe."


"O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."


"Desespero quieto às vezes é o melhor remédio que há. Que alarga o mundo e põe a criatura solta. Medo agarra a gente é pelo enraizado."


"Quem sabe direito o que uma pessoa é? Antes sendo: julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é passado."



Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

segunda-feira, 14 de abril de 2008

all of my love

estarão o amor e a compreensão tão intimamente ligados a ponto de confundirem-se?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

dinner party

Estava feliz. Leve. Leve e feliz.
Tudo o que queria era comemorar a leveza.
Prepararia um jantar com a desculpa de homenagear alguém.
Não precisava dizer que era um jantar em homenagem a si mesma.
Estar feliz era o que bastava.
Jantemos.
Um brinde à transformação, ao crescimento.
O riso era fácil, constante. O tilintar dos copos, música.
Tomates, temperos...
Brindemos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

horizonte

Tinha que admitir que sentia saudades... Da sua alegria, do seu alto-astral, o riso fácil e a mente rápida...
Não, não era mais amor - nem se sabe se chegou a ser - menos ainda paixão. Não era mais nada. Apenas um pedaço do que ele deixou. O que havia restado realmente de bom...

MARÇO-2008

o nobre vira-latas

era um vira-latas criado com pompa de cavalo de raça.
seria sempre um vira-latas, mas conquistou o coração daqueles grã-fininhos.
os vira-latas tinham mesmo lá a sua nobreza...

foto de Andy Warhol

segunda-feira, 7 de abril de 2008

calor de outono

Ela ainda não estava familiarizada com todos aqueles sentimentos que brotavam da sua alma. Em certos momentos, os sons se tornavam muito altos. Altos demais para que fosse possível suportar ficar ali parada.

Algumas sensações também faziam chegar à beira do descontrole. Ainda que fosse outono, o sol era o muito, o calor era demais. Nenhuma brisa.

A lembrança do toque daquelas mãos nas suas costas tornara-se insuportável, como se um vulcão adormecido estivesse à explodir. Entrava no mar. Tomava um café.

E muitas vezes a vida comum de quem não olhava a paisagem lá de dentro do mar a incomodava.
Sim, agora era preciso mudar de lugar. Era preciso sair dali.

Seus amigos comuns não entenderiam. Deviam mesmo achar que estava ficando louca quando, paradas a conversar na cozinha, ela começava a filosofar a respeito da vida... Assuntos absolutamente ininteligíveis para amiga comum com uma mamadeira comum em uma das mãos e uma lata de cerveja na outra. Eram mundos completamente distintos.

Mas às vezes Ana até desejava pertencer àquele mundo. As crianças e as ocupações com a casa sequer permitiriam erupções de vulcões.
Ambas as vidas eram árduas. Sua diferença era o quanto de tempo tinham para pensar nelas.