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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

o pequeno príncipe, a informática e os budas

Pensando sobre relacionamentos, descobri que, realmente, aquela história de ser "eternamente responsável por aquilo que cativas" fica mais leve quando olhamos para eternamente e responsabilidade por um outro ângulo.Vamos ver se consigo me fazer entender:

Certa vez um amigo disse que não acreditava em finais felizes porque simplesmente não acreditava em finais, ainda mais quando estamos falando de relacionamentos.

É bastante comum quando estamos solteiros, nos envolvermos com algumas pessoas que acabam apenas 'passando' pela nossa vida, por N motivos. Aí encontramos o "par ideal", nos apaixonamos, namoramos, casamos e blablabla e quando essa relação termina, nos vemos solteiros de novo e muitas vezes acabamos por reativar antigas relações que ficaram "minimizadas" por um tempo, mas que só nos foi possível reativá-las pela res-pon-sa-bi-li-da-de que tivemos em mantê-las guardadas, porque fomos cativados por essas pessoas e elas, por nós... Ave, pirei!

Mas vejam aí como a história do "eternamente" também ficou mais light, hã?

Enfim, tudo isso pra dizer que pensando nesse assunto, também lembrei da visão da personagem do "A Casa dos Budas Ditosos", quando ela fala sobre os arquivos rodando juntos, minimizando janelas e essas coisas, qua dão um tom escrachado ao assunto, mas que não deixa de ser verdade... Pra quem não for preguiçosito, vale ler, pq é bem divertido.


"Hoje eu estou altamente informática.

A superstição perniciosa generalizada é que é preciso deletar o anterior, para aceitar o novo. Que pobreza, que pobreza, que pobreza, que atraso!

Se a memória aceita, se o perfil confere, se a senha foi dada, roda os dois programas ao mesmo tempo, roda os três, roda os vinte, porra! Minimiza um, roda embaixo o outro, exporta um arquivo pra lá, outro pra cá, a informática é muito educativa, para que os débeis mentais que tanto pontificam e nos abalam com suas besteiras compreendam que os processos mentais que consideram sublimes e prova da existência de Deus são meras linhazinhas de comando de rotina no DOS do cérebro, o buraco é abissalmentissimamente mais embaixo.

Claro que a paixão nova, no primeiro momento, mobiliza muito o apaixonado, que tende a ficar cego para os outros arquivos e aí, na maior parte das vezes, o entulho burro começa a aporrinhar, o camarada foi treinado para não achar aquilo certo, tem que deletar o arquivo em uso, não sei o quê.

A analogia informática continua certeira, é como um programa novo, um brinquedo novo. Mas depois a gente abre o arquivo mais antigo, é bom, reaviva, estimula, meu Deus, por que erigimos empecilhos absurdos e destrutivos da beleza da Criação, os arquivos podem conviver na maior paz; clica, ele abre, tudo pronto para o deleite de todos e o cumprimento cioso quão alegre da sina!
O limite é a memória! E quantos gugóis de bytes não temos na memória? Nunca vamos usar nem um zilionésimo, por mais que vivamos e abertos sejamos. "